É possível observar o surgimento de inovações em modelos de negócios, abordagens e procedimentos para lidar com os desafios existentes em diferentes segmentos de mercado, dentre eles, o de cobrança e recuperação de créditos.

Em um ambiente onde 65 milhões de pessoas e 6 milhões de empresas estão inadimplentes em alguma obrigação financeira, as ferramentas usadas para entender, localizar, contatar, negociar e reter clientes em cobrança realmente não podem ser antiquadas. Agora, para reduzir as taxas de inadimplência observadas nas empresas credoras, ou seja, aquelas que concedem créditos como atividade fim ou operam relações comerciais baseadas em prazos para pagamento pelos seus bens ou serviços, é necessário entender como explorar as inovações.

Lançar mão de recursos isolados não é suficiente para resolver o problema da inadimplência. Iniciativas puramente digitais das Fintechs de acordos ainda não entregaram resultados para decolar por aqui, e os escritórios de cobrança não se aplicam a todos os cenários, carteiras de créditos e faixas de atraso das dívidas, pelo racional do modelo de negócio e risco operacional embutido. Recursos como as ligações ativas de cobrança e as cartas físicas ainda cumprem papel importante na cobrança de determinados clientes, e as novas ferramentas como o autoatendimento, WhatsApp e os Chatbots de negociação começam a mostrar números interessantes, porém longe de direcionar todos os esforços.

A tendência nos grandes mercados mundiais de créditos é perseguir o ponto ideal de interação entre as ferramentas tradicionais e as inovadoras de cobrança, para aumentar a recuperação e reduzir custos operacionais. A possibilidade de explorar e combinar canais, automatizar processos e aplicar análises preditivas, tem ajudado credores a elevar as taxas de recuperação nos mercados desenvolvidos. No Brasil há diversos recursos para a cobrança, mas o desafio de muitos credores é realizar a interação entre eles para melhorar a recuperação de créditos, acompanhando as melhores práticas de mercado.

Atualmente, a fragmentação do processo operacional de cobrança nas empresas tem sido, frequentemente, responsável pelos baixos resultados na recuperação de créditos. O desempenho da cobrança tem uma relação direta com o desenho operacional, o controle e a disponibilidade de ferramentas, aspectos derivados do tipo de gestão adotada.  A elevação na taxa de recuperação de créditos é obtida quando os credores utilizam um sistema de gestão abrangente capaz de articular os diversos recursos disponíveis no mercado, a exemplo dos discutidos acima, e incorporar todas as etapas operacionais criando um redesenho eficiente do processo de cobrança.

No mercado brasileiro de cobrança e recuperação de créditos há poucos sistemas de gestão concebidos especificamente para credores, incorporando a perspectiva e funcionalidades necessárias, a grande maioria das soluções disponíveis no mercado busca atender as necessidades de participantes do mercado de cobrança, como os escritórios de cobrança, com menor abrangência operacional. Até mesmo os módulos de cobrança dos sistemas ERPs não possuem a abrangência necessária para o redesenho operacional eficiente em departamentos de cobrança e contas a receber de credores.

 

Prof. Dr. Pedro Bono Milan

CEO REVICT

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